A displasia coxofemoral se trata de uma doença multifatorial (quando uma característica é determinada pelo efeito combinado de muitos fatores ambientais e genéticos), onde ocorre uma subluxação da articulação devido à instabilidade, ou flacidez, da articulação e que evolui para a degeneração da articulação. É uma patologia que atinge grande parte da população canina, principalmente em raças de grande porte e de crescimento rápido. Atinge igualmente machos e fêmeas, comprometendo uma ou duas articulações coxofemorais.
A transmissão é hereditária porém recebe influências ambientais sendo de caráter poligênico, recessivo e intermitente.
Incide em raças como São Bernardo, Pastor Alemão, Boxer, Rottwailler, entre outros, entretanto os animais de pequeno porte não estão isentos de sofrer este distúrbio. Atinge os dois sexos, e pode afetar uma ou ambas as articulações.
A herdabilidade (estimativa simples da importância relativa dos fatores genéticos e ambientais na contribuição para a etiologia de uma doença) da displasia coxofemoral é muito variável, sendo relatada como de 0,17 a 0,60, porém, a média da herdabilidade está aproximadamente entre 0,25 a 0,50, sendo este valor suficiente para justificar a seleção individual, ou massal, que é a seleção de indivíduos pelo seu próprio fenótipo.
No cão ainda não foi reconhecido um padrão claro de herança. Isto significa que muitos cães são afetados geneticamente.Sendo então uma idéia falsa de que a displasia coxofemoral é uma doença 100% herdada e que portanto pode ser evitada somente pela realização de acasalamentos seletivos.
No passado, certos veterinários e criadores supunham que esta doença fosse devida a um gene autossômico recessivo.Em diversos estudos sobre displasia em cães Pastor Alemão, os resultados de cruzamento de afetado X afetado mostravam, em média, 86% de prole afetada. Cruzamentos similares de afetado X afetado em labradores produziram em média 63% de prole afetada. Poderíamos atribuir a displasia a um gene recessivo (a) com 86% de penetrância em pastores alemães e 63% de penêtrancia em labradores. No último caso, por exemplo, teríamos 63% dos labradores aa com propenção suficientemente baixa par colocá-los no lado normal. Então, quais os fatores responsáveis por estas diferenças de propenção entre animais aa ?
Como a displasia normalmente é diagnosticada pela avaliação subjetiva de uma radiografia ou por apalpação, o erro de classificação é um fator.Ainda, foi demonstrado que nível de alimentação, balanço eletrolítico da dieta e a quantidade de exercício diário durante o início do crescimento afetam a propenção de um animal à displasia. A diferença de propenção também poderia ser devida em parte à ação de alelos em outros locus que, de várias maneiras determinam o modo como a articulação da anca se desenvolve.
O importante é entender que qualquer animal que tenha propenção inferior ao valor de limiar, por qualquer que seja a combinação de fatores genéticos e ambientais não terá displasia.
